O que acontece quando morremos? I
Essa é uma pergunta muito fundamental, por isso é que essa pergunta está na base de toda busca espiritual, e o tipo de resposta que se tenta dar a ela é o define uma doutrina religiosa da outra.
Quando o tema é a morte, de imediato surgem duas reações, ou está ali a religião com sua obsessão pela crença ou está ali uma reação contra a religião. Diante da ideia da morte, imediatamente a mente reage e luta para se manter agarrada a alguma coisa, persegue algo em que acreditar; então ou você crê ou acredita que crença é bobagem.
A morte está ali e a mente reage. É dessa reação automática diante do fato da morte que então surge “a ideia de um deus” cujo sinônimo é “crer” ou a ideia oposta "não existe isso de um deus", uma crença também. A reação da mente em ambos os casos é a mesma: buscar algo em que acreditar, acreditar a em algo que diminua a ansiedade mental diante da fatalidade inevitável que é a morte.
A Morte ali está. Então surgem idéias e as idéias se juntam em teorias; ideia de reencarnação, ideia de ressurreição, ideia de céu e de inferno, ideia de purgatório onde se pagam as dívidas cármicas, ideia de pecado e ideia de que nada disso existe a não ser na cabeça de quem crê. São reações da mente diante da morte.
A Índia e as coisas orientais são muito belas e muito significativas. Na mitologia hindu, a figura de Shiva representa a “Trindade da Morte”; a morte é três, é uma tríade que inclui três ideias simbólicas muito belas:
A ideia de destruição e morte, onde o símbolo é Shiva.
A idéia de criação, onde o símbolo é Brahma.
E a ideia de sustentação e duração cujo símbolo é Vishnu.
É belo. Diante da morte a mente está criando símbolos e isso é belo porque então não se trata somente de reações automáticas, mas há ali também uma tentativa de comunicação com o fato real da morte, uma comunicação com o desconhecido. Se há comunicação então pode haver descoberta, pode haver conhecimento; e mais ainda, se há ali comunicação entre quem morre e a morte, há também encontro e relacionamento.
Segundo conta o mito, Brahma e Vishnu procuram Shiva para tratar sobre um assunto urgente, e o encontram entretido no ato sexual com sua esposa. Shiva, a Morte está tão absorvido no ato que não se dá conta de que os outros dois deuses, Criação e Duração haviam entrado em sua habitação.
Cansados por terem de esperar em pé durante horas até que Shiva finalmente note sua divina presença, Brahma e Vishnu irritados, lançam uma maldição sobre o deus da morte declarando que a partir de então sua imagem seria representada pelo símbolo fálico do pênis erguido: o Shivalingam.
Relacionamento, encontro, fusão, gozo, comunicação; isso é o amor. É muito bela essa mitologia.
“Shiva absorvido em um encontro sexual com a esposa.”
A Morte tem uma esposa; a Morte é como um matrimônio e a Morte é uma união sexual… São símbolos; e como são belos esses símbolos. Uma esposa, um matrimônio, um encontro sexual; o que é isso? É amor; a Morte é o Amor!
Essa imagem representa uma dança de união entre as naturezas macho e fêmea de algo muito maior, algo que não é somente fêmea a e não é só macho, mas uma unidade entre ambos, e é uma união onde ambos estão se dissolvendo um no outro. E a Morte é um ato de amor, o gozo supremo; há penetração, há encontro e fusão, na fusão há dissolução e descoberta. Há então uma comunicação, porque o amor é sempre um intenso encontro que permite uma profunda comunicação de onde brota felicidade, êxtase e bem aventurança.
Através de uma fusão sexual, a fêmea e o macho estão unindo-se, e ao desaparecerem um no outro acontece uma estreita comunicação. É uma imagem muito bela. Tudo ali é gozo; êxtase e a Morte está falando à sua esposa, que permanece sentada sobre seu colo durante todo o encontro. A Morte é união, a Morte é encontro e descoberta e sua esposa está sentada sobre seu pênis erguido. Encontro, há então uma fusão, há uma penetração profunda no desconhecido; súbito há gozo, supremo êxtase e descoberta; uma iluminação.
Penetração profunda, fusão, descoberta e gozo. Isso é o conhecimento, a Morte é a entrada em um novo espaço e é um meio para o conhecimento de algo profundo. É como quando o pênis do macho penetra profundamente a vagina da fêmea; é como entrar em algo profundo, vivo, vibrante, cheio de vitalidade e é uma penetração no corpo. Súbito há gozo, de repente vem o conhecimento, então há descoberta; é a Verdade, há iluminação.
E a imagem do encontro sexual em meio a deuses é perfeita, a fusão é tão intensa que não é desse mundo, é divina; o encontro é tão total e penetrante que chega a tocar o divino. E a Morte entrega-se a ela de maneira tão total que Criação e Duração desaparecem ali no ato de união da Destruição com sua esposa. E desaparecem porque não são três, são um só.
Por isso a ênfase no pênis, é corporal e trata-se de penetrar além, trata-se de estar no corpo, entrar e conhecer além; trata-se de entrar no desconhecido e descobrir; é um fenômeno de conhecimento profundo, é realização, é iluminação, descoberta em êxtase. O gozo supremo; a imagem do falo ereto, a imagem do pênis erguido na vertical é simplesmente genial porque a morte nos assusta e para nós a morte é medo, mas o sexo nos deixa embriagados de desejo. Agora queremos entrar, agora não há medo, desejamos penetrar e gozar, e desejamos nos entregar à penetração e desaparecer em um gozo profundo.
A imagem é tão forte e bela que o pensamento para, o medo desaparece e surge o desejo de conhecer o desconhecido por dentro. A morte é medo, temos medo da morte porque é o desconhecido, mas o desejo sexual é muito mais poderoso, o desejo de penetrar e ser penetrado, o desejo de se fundir e desaparecer no gozo é tão intenso que esquecemos o medo, nos entregamos e nossa entrega é total.
Então a mente cessa, e ali em gozo o eu desaparece; é a realização, é bem aventurança; e estamos nos dissolvemos em um espaço pleno de Luz viva. Entramos ali e vem a iluminação, somos preenchidos de Luz, conhecemos a Morte por dentro, descemos até sua mais íntima profundeza; e tudo é Luz.
A Morte é uma profunda penetração no desconhecido. Penetrar é conhecer, então macho e fêmea desaparecem um no outro e o que resta é iluminação; penetrar é descer até o fundo, descobrir, celebrar o mistério, então a mente cessa de existir e a sexualidade é transformada em um gozo luminoso.
O pênis, a vagina… são coisas corporais, existenciais, onde os pensamentos cessam, são desnecessários, nenhuma crença é necessária, o corpo é suficiente. Descer ao corpo, estar ali presente, entrar ali e deixar que o olhar seja levado para dentro até a mais profunda intimidade; isso é se dissolver e conhecer o Supremo dentro de si mesmo; e é a mais alta realização, uma nova união em plenitude de consciência com a divina Luz de Ouro. É muito belo.
Gratidão a Shiva-Brahma-Vishnu
O que acontece quando morremos? II O que acontece quando morremos? III
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Morrer para a mente
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