sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Teorias e Crenças



Estar ali presente por si só é a meta. 

Quando você abre os olhos dentro de si mesmo ri. É que meditação é felicidade. 

Meditação é uma felicidade silenciosa e com ela, a bênção. E essa bênção é quando finalmente existimos através de uma mente sem conflito, e descobrimos uma vida em que há unidade, compaixão, beleza e, portanto, amor e felicidade.  

Ali presente e de olhos bem abertos você é o próprio Todo Uno da Vida. 

A base da meditação é essa presença consciente que olha alerta dentro da mente. Se não estabelecemos em nós mesmos essa base, então a mente segue dividindo a Vida entre "nascimento" contra "morte". E aquilo que é essa autêntica felicidade permanece ai dentro; sem fim e sem causa. Está aí como algo que não pode ser avaliado pelo que você pensa e existe ali dentro de você independente do tempo. 

Meditação, não é a procura de alguma visão santificada e não é algo que você possa usar para satisfazer seus interesses pessoais, ainda que isso seja exaltado pelas tradições com seus especialistas obcecados por influência, adoração e poder. 

A mente toma toda existência como um espelho; então projeta seus desejos nele, lança seus sonhos sobre o espelho. Fascinada com o que vê refletido no espelho a mente está sempre em busca de algo para se satisfazer, algo com que possa se sentir em segurança ou algo para experimentar uma sensação de poder.

Adormecido em si mesmo você olha para a Vida através desse espelho cheio de sonhos; então o que vê são suas próprias projeções mentais automáticas. Profundamente ausente olha para a Vida e o que vê são os sonhos da mente. 

Lutar pelos sonhos que você vê no espelho da mente, mantém você dormindo por dentro. E porque está adormecido não pode ver. Sem ver, não pode se unir e conhecer a Vida; e sem esse conhecimento surgem o medo e as dúvidas que fazem você olhar para fora. Então, diante do conflito das dúvidas, a mente fica inventando explicações, cria justificativas e foge para dentro de mil pensamentos. 

É esse seu sono mental não admitido que faz você desconfiado, tenso e cheio de dúvidas, sempre em busca de algo para acreditar. Não há conhecimento, então tem de crer em alguma coisa. E a mente fica criando teorias, filosofias, sistemas, apenas para se sentir segura, satisfeita e no controle. Então o pensamento surge e diz: "Tudo vai bem" e você acredita que nada vai mau. 

Está tudo bem e você pode continuar dormindo, existindo no automático através de uma ausência mental sem fim. 

Todas as crenças, ideias, opiniões, explicações e teorias existem apenas para reprimir suas dúvidas, controlar a insatisfação, a insegurança, o medo e a sensação deprimente de tristeza, de fraqueza e solidão que vem de seu eu. E a mente segue lutando pela defesa de suas teorias e crenças apenas para que tudo pareça ir bem e nada vá mau… 

Mas tudo vai muito mal quando você permanece adormecido. Está dormindo e toma o sonho de se satisfazer, o sonho de possuir, o sonho de estar no poder como algo real. Está ausente e sempre olhando a Vida através do que você quer para se satisfazer. 

Prazer é a satisfação disso que você quer e espera possuir. A felicidade é outra coisa. Você gosta de pensar que felicidade é um prazer muito grande. Não é. O prazer pode ser buscado e encontrado, de muitas maneiras, mas a felicidade não pode vir de uma busca e não virá daquilo que você tem para se satisfazer; seja isso o que for. 

O que lhe dá prazer e uma sensação de poder está sempre em coisas exteriores a você. A felicidade só pode vir de dentro; e isso não pode vir a você como resultado do desejo automático de lutar para ser feliz. 

A felicidade simples e luminosa da meditação só pode surgir quando você deixar essa obsessão de ter que acreditar e parar de lutar pelas sombras que julga ver refletidas no espelho que é a mente.

Então nessa liberdade interior a simplicidade feliz nasce de si mesma como um intenso sentimento de presença, como uma tremenda intensidade de percepção total, como uma súbita experiência de unidade. Isso não virá do que você está fazendo para "ser feliz". 

Você pode entrar agora em si mesmo e olhar dentro do que está acontecendo na mente quando você quer muito ter algo para se satisfazer. Você pode parar um pouco de perseguir o que quer e olhar dentro do que acontece quando a mente deseja se sentir em segurança, ou quer se sentir poderosa e especial.

Mas você não quer olhar ali; e sempre escolhe continuar pensando e sonhando. Por que? 

Tem de proteger seus sonhos, precisa defender esse seu eu sombrio que lhe dá a sensação de ser. Mas é apenas isso; uma falsa sensação criada pelo eu. Não é o Ser. Daí a insatisfação, a carência, a frustração e o sofrimento.

O Ser está aí detrás do que você pensa o tempo todo. Celebre-O!



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Teorias e Crenças

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Paixão Criadora



No caminho a primeira coisa a compreender é o que significa a Consciência.

Você quer alguma coisa, olha para fora ansioso e "vai a luta".
Vai andando pelas ruas fazendo o que tem de fazer para ter o que quer.
Está consciente de muitas coisas: da correria nas lojas, da gente apressada e preocupada que passa a seu lado, da fumaça e do ruído do tráfico; de quase tudo.
É consciente de tantas coisas; tem uma consciência automática de quase tudo. Só está inconsciente de uma coisa… 

E essa coisa é você.

Vai andando pela rua atrás de seus sonhos, parece estar consciente de tantas coisas... só não é consciente de você mesmo! 

A essa Consciência da gente mesmo enquanto fazemos o que temos de fazer, a Mestria chama: "Olhar dentro de si mesmo."

Diz A Mestria: "O tempo todo, esteja onde esteja, lembra de estar consciente de si mesmo."

O tempo todo você está querendo ter algo, possuir alguma coisa para se sentir feliz, então tem de entrar em ação.  Por fora parece estar muito acordado. Muito sério, preocupado com seus desejos.

Por dentro está ausente e adormecido.

O tempo todo você corre atrás de seus sonhos, por fora está consciente de muitas coisas; parece estar vivendo sua vida. Por dentro dorme; está meio morto. Não há união com a Vida.

Faça o que faça lá fora, por dentro precisa fazer uma só coisa: ser consciente de que você o está fazendo.

Se está comendo, olha para isso. Esteja consciente de você mesmo comendo. Se está andando, usa isso. Fica presente e seja consciente de você mesmo andando. Se está escutando, se está falando; fica consciente e olha dentro de si mesmo enquanto escuta, pensa e fala. 

Está com raiva, esse é o momento! Aproveita a raiva e lembra de estar consciente de si mesmo, muito irritado. No mesmo momento em que explode a ira, essa é a oportunidade para mais consciência: Para um pouco e fica presente; seja consciente de você mesmo irritado.

Essa presença muito consciente que olha dentro da mente é como um fogo.
Isso de se lembrar o tempo todo de estar presente e olhar dentro da gente mesmo, cria em nós uma sutil energia... Essa nova presença alerta desperta em você um fogo muito sutil, vibrante. É difícil ver isso; mas está aí. De início não se percebe; mas está lá.

É presença, é você acordado dentro da mente.

Nessa consciência acordada você começa a ser algo que arde em chamas. É o Ser. Esse eu que quer alguma coisa é seu sono. O Ser é seu despertar interior. Na ausência adormecida, você não é mais que água, escuridão e vento. Está dormindo; meio morto. Não há explosão, não há um fogo verdadeiro… Só algo líquido, viscoso e escuro, só uma mistura caótica de muitas coisas, sem nenhum fogo aceso. na sua ausência a mente é como uma multidão de cegos que se agita e muda constantemente, sem nenhum fogo, sem Luz, sem qualquer unidade.

A Consciência é o que converte você em fogo… faz você uno e luminoso.

Quando se diz "fogo" isso se refere a uma presença erguida… uma presença intensa e contínua, que eleva-se e olha dentro o tempo todo. O fogo é algo que incendeia e sobe; a água é algo que cai.

Diz a Mestria: "O tempo todo, faça o que faça, lembra de ficar presente e olhar consciente em si mesmo."

Faça o que faça, e mesmo que não faça nada, uma coisa deve fazer o tempo todo por dentro: mais e mais consciência.

A Consciência de que você É.

Essa simples sensação de "ser em si mesmo", cria um fogo aí dentro. A simples percepção consciente de que você É enquanto faz o que tem de fazer, cria em você um centro luminoso em chamas.

É a unidade natural do Ser em iluminação.

Em você isso é um centro em quietude, um centro de silêncio, um centro de consciência interior. Está ardendo em chamas. A flor de uma potência interior. A Vida vem dali; a consciência ilumina ali. E quando se diz "uma potência interior" toma isso ao pé da letra. É uma chama viva. Puro poder; potência em criação constante. E arde aí dentro.

Por isso a Mestria fala do "fogo da Consciência." É um fogo iluminando a eternidade. A chama viva da Consciência. Você nasce ali para essa consciência.

Está aí dentro, chama por sua presença e pede que abra os olhos ali. Se começar a lembrar de se fazer consciente enquanto faz o que tem de fazer, começa a sentir em você uma nova energia, um novo fogo, uma nova vida. E graças a essa vida nova, esse novo poder, a nova energia, muitas coisas que estavam dominando se dissolvem. Já não tem que lutar com elas. 

A escuridão mental do sono se dissolve, a ausência da morte se dissolve, a carência e o sofrimento chegam ao fim. O eu desaparece com seus sonhos. A água aquece, ferve e evapora. Livre e em chamas você sobe de volta ao Ser.

Se permanece ausente e adormecido tem de lutar. Tem que lutar com sua raiva, com sua inveja, com seu sexo, porque está fraco e a mente domina. Não há fogo. E ali presente e se fazendo mais e mais consciente, pode ver que a inveja, a raiva e o sexo não são o problema; o problema é a fraqueza, o problema é seu sono, o problema é sua ausência mental inconsciente.

Essa presença consciente que olha alerta ali dentro faz você mais forte, mais vivo, mais amoroso. Assim que começa a ser mais forte por dentro está ardendo, assim que aprende a viver com uma sensação de presença interior, arde em chamas... Quando sente que É, vivendo através do Ser, suas energias se vão reunindo mais e mais, e quando chegam a se unir em um único centro incendeiam e explodem. 

Então nasce o Ser.

Diz A Mestria: "O tempo todo, fica presente e olha consciente dentro de si mesmo."

A ausência adormecida cria um ego. Não é o Ser; é um Eu. O ego é sempre uma falsa sensação de ser. É o Eu, ainda não é o Ser. Vem da sua ausência mental adormecida.

O Ser é a presença em chamas; uma presença todo acordada que abre os olhos dentro da mente. Um fogo vivo; criação constante, vibrante, dançando aí dentro onde você não quer olhar.

Seu ego não é assim; é uma falsa sensação de ser. Sem ter nenhum Ser, segue acreditando que o tem… isso é o ego. Está adormecido e meio morto por dentro. E segue acreditando que está vivendo sua vida. É um sonho, e essa crença é seu ego.

O ego é uma sensação falsa de ser… ainda não arde em chamas. Não há presença, ainda não olha dentro... está consciente de muitas coisas, menos de si mesmo. Ainda não é a Consciência. E andando pelas ruas, faz muitas coisas e está consciente de quase tudo. Ainda não é um Ser, e mesmo assim segue acreditando que é.

Isso é a ausência do fogo vivo da Consciência. 

Adormecido e meio morto por dentro, segue acreditando que está fazendo alguma coisa. Não pode estar porque ainda não É.  Só o Ser pode arder e entrar em ação; e o Ser pode criar e levar isso à realização. Está em chamas e ilumina a eternidade.
O eu só pode lutar com seus sonhos. O fogo não arde ainda.

Quer ser feliz? Então o tempo todo vigia, até que arda.


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Paixão Criadora

O Ser está aí. Celebra!