O que acontece quando morremos? I O que acontece quando morremos? II
O que acontece quando morremos? III
Brahma e Vishnu procuram Shiva para tratar sobre um assunto urgente, e o encontram entretido no ato sexual com sua esposa. Shiva, a Morte está tão absorvido no ato que não se dá conta de que os outros dois deuses, Criação e Duração haviam entrado em sua habitação.
É muito rica e muito bela essa imagem mítica da morte transformada em uma unidade que flui entre Shiva, Brahma e Vishnu, três em um; o três que é UM. Uma divina unidade onde a dualidade chega ao fim. Destruição-Criação-Duração: três deuses reunidos em um só Ser Uno.
Então a Morte não pode ser destruição; é uma dança que flui, uma respiração constante entre destruição, criação e duração. E morte é criação e duração; quanto mais morte, mais duração e mais a vida se prolonga; quanto mais morte, mais criação e mais a vida se renova.
E ainda há mais: a Morte é uma habitação, algo mais que só espaço, há algo vivo ali, alguém respira ali; é a habitação de alguém. O divino Ser, a divindade, o Uno habita ali, é a habitação interior do Uno vivo em seu próprio mistério em iluminação.
É o que encontramos quando abrimos os olhos dentro de nós mesmos.
E há ali destruição e criação, unindo-se sexualmente em favor da sustentação da vida enquanto que o resultado dessa fusão amorosa, luminosa e constante é uma eternidade de ser natural, viva, feliz, criadora. É muito, muito belo esse símbolo.
A Morte está aí e a mente está reagindo. Então em lugar de tentar escapar, você experimenta algo completamente novo, permanece no corpo, fica presente e olha ali dentro; há profunda penetração e surgem símbolos para o conhecimento interior: três deuses em um só.
São símbolos. São idéias e a imagem de um deus está ali, mas não são reações que estejam vindo do medo, não são obsessões vindas de uma reação violenta de ódio porque estamos perdendo tudo possuímos.
São pura arte, parece uma brincadeira bem humorada que desperta a criança em nós, uma gostosa brincadeira feliz que nos leva a um encontro profundo com o desconhecido enquanto o mistério ganha expressão por meio de uma rica linguagem; enquanto lança uma ponte que dá acesso ao desconhecido.
É a linguagem do amor, daí a ênfase do mito no sexo, e não é somente sexo, é uma absorção profunda, um desaparecimento total na habitação do que é Divino. Não é uma reação automática e inconsciente de quem se debate e está com medo, trata-se do conhecimento místico profundo de quem é sensível e feliz como uma criança.
É simbólico mas não é uma reação, é antes uma elevada forma de autoconhecimento porque quem morre somos nós; trata-se de você e eu que nascemos para o conhecimento profundo e total da morte e isso somos nós, é nossa essência mais básica.
E entrar nessa habitação é um novo nascimento em nós mesmos e uma nova criação; significa que a experiência da Morte é o conhecimento da Luz que é própria Vida. E essa nova Luz é nossa mais profunda natureza, aquilo somos nós em nossa mais íntima realidade; pura divindade. É muito belo, até onde nos leva, o que nos dá a conhecer essa linguagem mítica do Amor.
A Morte é a habitação da Vida, destruição-criação-sustentação para mais e mais vida; e a Morte é o fim do diminuto eu, a mente cessa ali e súbito você é um com a Vida em si; de repente você conhece a Vida tal como ela é em sua eternidade de ser natural: divina e Suprema.
A Morte aí está, no corpo, na respiração, é a vida mesma. Diante da Morte, a mente reage e tenta escapar; ali ela não pode se mover, ali dentro naquela habitação a mente cessa e seu eu desaparece. Para a mente é total destruição e porque você está adormecido ali não pode ver que aquela destruição é para mais e mais vida; é criação, é duração; está ausente, não pode ver, tem medo e se agarra na mente.
A mente reage e rejeita aquilo, foge para dentro de uma atitude “contra” expulsa a morte para o "fim da vida" e arrasta você para dentro dessa escuridão dividida. A mente é contra a morte, não deseja perder seu eu, deseja que seus sonhos continuem, anseia em continuar a viver em seus sonhos e arrasta você para dentro do sonho.
A mente não deseja morrer e a Morte aí está, inexorável, divina, eterna; então mente é contra.
Mas se abrimos os olhos ali dentro podemos ser totais outra vez; ali está a Luz da qual surgimos e ali somos livres para ser um com a Luz outra vez. E a Luz é a Vida, ali a Luz não é somente energia, é pura divindade, a Divindade em seu Ser Uno, da qual surgimos e agora retornamos em plenitude de conhecimento; em plenitude de consciência.
Essa habitação é nossa existência, é nosso próprio corpo; e aquele medo é nosso eu, aquela fuga sem fim é nossa mente cotidiana, e para nós a Morte é essa ausência de amor, ausência de unidade, ausência de Luz.
Mas apenas porque permanecemos adormecidos na divina Luz da Vida.
E precisamos brincar como uma criança, ser de novo um com nossa inocência, descermos de volta ao que é natural em nós e estarmos ali presentes, de olhos abertos, em plenitude de consciência, só então podemos retornar à felicidade de sermos um com o Uno outra vez.
Gratidão a Shiva-Brahma-Vishnu
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A Morte é o Amor
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