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O que acontece quando morremos? II
Brahma e Vishnu procuram Shiva para tratar sobre um assunto urgente, e o encontram entretido no ato sexual com sua esposa. Shiva, a Morte está tão absorvido no ato que não se dá conta de que os outros dois deuses, Criação e Duração haviam entrado em sua habitação...
Que imagem extraordinária essa que surge da comunicação com a Morte por meio de símbolos, nada que ver com um jogo de crença, nada que ver com religião; pura espiritualidade, pura divindade. Porque entrar ali e conhecer a Morte por dentro é desaparecer no que só pode ser chamado de Divino.
Esse conhecimento intuitivo da Morte por dentro é a essência do que chamamos de autoconhecimento.
A Morte está tão absorvida no ato sexual que não se dá conta de que os outros dois deuses estão ali em sua habitação…
Essa extraordinária imagem está dizendo que a Morte existe em seu próprio espaço. Esse espaço existe aí mesmo onde você está e só permanece oculto para quem olha através da mente consciente.
O lugar oculto da Morte é um espaço de divindade e isso é seu interior; ali a Morte é como um lar, é onde habita a Divindade. Ali o Divino é três: Destruição-Criação-Sustentação; e não são três, são um só.
Destruição onde se fundem Criação e Duração; Duração onde se fundem Destruição e Criação; Criação onde se fundem Destruição e Duração. Então conhecer um é conhecer os outros dois e retornar ao Uno; e essa experiência de retorno ao Uno é uma dança de fusão entre trindade e dualidade onde ambos, o três e o dois desaparecem.
E isso é a Morte autêntica; um desaparecimento de olhos abertos na unidade natural, e ali a experiência do fim das diferenças, das distâncias e das divisões.
Não são dois, é o três; não são três, é o dois e não são dois e nem três é o um. Um retorno consciente ao um. Essa unidade do três com o dois é o Uno, e a Morte é uma profunda penetração nisso que é o Uno, ali onde o três e o dois se encontram por meio de uma sexualidade divina e estão desaparecendo, fundindo-se um no outro, para mais e mais Vida.
Shiva, Brahma e Vishnu não são três, são o Uno. Conhecer isso em si mesmo é descobrir o que é a Morte por dentro!
Shiva-Brahma-Vishnu: Morte é Destruição. A destruição é criação que provoca duração; isso é penetrar o mistério daquilo que é eterno. Conhecer isso em nós mesmos é a mais alta realização, e não pode haver liberdade maior do que essa. Puro êxtase, suprema felicidade.
Shiva-Brahma-Vishnu: Morte é Criação. A criação é destruição que produz duração; isso é a penetração profunda no Reino de volta à Vida eterna. Conhecer isso em nós mesmos é a mais alta iluminação, realização profunda, supremo êxtase.
Shiva-Brahma-Vishnu: Morte é Duração. A duração é destruição que gera mais e mais criação; isso é penetrar a mais íntima natureza. Conhecer isso em nós mesmos é a mais alta realização, é nos tornarmos um com a Vida e voltar para casa; A mais alta iluminação, pura felicidade.
Que coisa devastadora que é o conhecimento profundo do que se oculta em nós. É estar presente e abrir os olhos nesse espaço profundo onde a mente cessa. É conhecer ali dentro nossa real natureza criadora na descoberta da Luz interior da qual surgimos a cada momento em manifestação constante, pura e natural. Então nesse mesmo conhecimento interior nos tornarmos senhores de nós mesmos, governantes de nossa própria existência.
Shiva é Brahma, Brahma é Vishnu e Vishnu é Shiva e Brahma. O Supremo, Morte em iluminação, Vida em plenitude na consciência. Não são três, são um só Ser Uno; são uma divina unidade; são criação, destruição e duração reunidas em um só espaço profundo, um espaço em iluminação, uma habitação onde há encontro, fusão e supremo êxtase. Isso somos nós mesmos. É a revelação do que somos por dentro, a revelação do que trazemos dentro de nós, a revelação daquilo de que temos medo e rejeitamos em nós mesmos.
O medo surge do fato de que ali, a mente cessa e o pensamento não pode se mover. Então tal como estamos não podemos existir ali; tal como pensamos ser por fora não podemos estar ali.
Significa que ali dentro, dentro da Morte não pode haver destruição sem criação e duração; se um ali está, os outros dois estão presentes em fusão. E a morte não é mais essa lamentável destruição final de tudo que nos causa medo e ódio; diante dessa extraordinária simbólica cheia de divindade agora ela pode ser também encontro, gozo e diálogo. Agora pode ser também uma união sexual entre macho e fêmea e então penetramos o mistério de nossa própria sexualidade, enquanto a Morte mostra-se como um ritmo de fusão criadora entre uma tríade de deuses e nossa própria dualidade sexual.
O que acontece quando morremos? Há destruição, então uma sempre nova criação para mais e mais duração. Pura Vida eterna em plenitude diante de nossos olhos abertos.
E estamos de volta ao Reino e em uma nova união ao Ser Uno que ali habita. Isso é a descoberta do que já somos por dentro. E se ali presentes, penetramos a mente e abrimos os olhos além, é a realização, a eternidade; Vida em iluminação, espaço em plenitude. A Morte é essa penetração profunda que nos ilumina por dentro.
Antes na escuridão da mente dividida, diante da Morte só haviam reações de medo e ódio, agora sob a claridade de uma nova Luz você pode rir e gozar. Antes na ausência do conhecimento, você tinha de lutar e fugir para dentro da escuridão, agora na plenitude desse conhecimento do que já É por dentro, você é livre para relaxar, gozar e celebrar uma nova Luz viva.
Morte, sexualidade e Divindade; três deuses. São símbolos de conhecimento interior; é muito belo.
Gratidão a Shiva-Brahma-Vishnu.
O que acontece quando morremos? I O que acontece quando morremos? III
Baixe aqui a apresentação dessa mandala de conhecimento em PDF.
Morrer para_a Divisão
Aproveite.
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